Apresentação

O grupo de gênero se insere na discussão do poder de uma sociedade machista e ter um marco emancipatório para a participação política das mulheres, tendo-as como sujeito. Debatendo o cotidiano, as relações familiares e/ou privadas, às relações institucionais da economia, da política e da cultura e suas dimensões objetivas e subjetivas simultaneamente. Este GT reúne os pontos de cultura que atuam na perspectiva da emancipação feminina, na luta contra a opressão e a violência contra as mulheres e pela afirmação da igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

09/06/11, 18:40 Presidente do Cress toma posse e manda tirar santos do prédio Maria José do Nascimento é presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Piauí.


A presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Piauí, Maria José do Nascimento, determinou a retirada de todos os símbolos religiosos da sede da entidade. 


Segundo a presidente do Conselho, a iniciativa não tem intenção de afrontar crenças religiosas. “Essa medida se fazia necessária em virtude de o Estado brasileiro ter abraçado o princípio da laicidade: O que fizemos foi tão somente cumprir a Constituição Federal", explica Maria José. 
 
Primeira mulher negra a presidir o CRESS Piauí, Maria José do Nascimento tomou posse no último dia 14, assumindo, dentre outros compromissos, aproximar aquele Conselho dos movimentos Sociais. 

A decisão de retirar os símbolos religiosos da sede do CRESS deve agradar as entidades como o Matizes e Católicas pelo Direito de Decidir, que brigam na justiça para que imagens religiosas não sejam mais ostentadas em órgãos públicos.

Abaixo Assinado-PELA LEI Cultura Viva



Faltam completar 50 parágrafo Assinaturas em 2000.
Participem!
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N8759
 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ministério das Relações Exteriores realiza amanhã (9/6) seminário, no Rio de Janeiro, sobre autonomia das mulheres



Em discussão: papel atual das mulheres na sociedade brasileira e os desafios para a economia, participação política, eliminação da violência. Evento reunirá nomes de expressão pelos direitos das mulheres, tais como Silvia Pimentel, presidente do Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres – CEDAW das Nações Unidas. Michelle Bachelet, diretora-executiva da ONU Mulheres, vai enviar mensagem em vídeo sobre igualdade de gênero


Rio de Janeiro, 8 de junho de 2011 - A autonomia econômica e o empoderamento das mulheres estarão em debate, nos dias 9 e 10 de junho no Rio de Janeiro, no Seminário “Autonomia Econômica e Empoderamento da Mulher”. O evento é organizado pela Fundação Alexandre de Gusmão, ligada ao Ministério das Relações Exteriores, e terá a participação de órgãos de políticas para as mulheres, igualdade racial, diplomacia, pesquisadoras e ativistas dos movimentos feministas e de mulheres.

A abertura do seminário está programada para quinta-feira (9/6), das 9h às 10h20, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. A mesa de inauguração do evento terá as presenças do Ministério das Relações Exteriores, Secretaria de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Secretaria de Direitos Humanos e da Fundação Alexandre de Gusmão. A diretora-executiva da ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres, Michelle Bachelet, vai enviar uma mensagem em vídeo para saudar o público e apresentar o esforço mundial das Nações Unidas para a igualdade entre homens e mulheres.

Em seguida da abertura, o seminário terá dois painéis: “A divisão sexual do trabalho e a pobreza: a importância dos equipamentos sociais para a autonomia das mulheres” e “Desigualdade de gênero e raça no mercado de trabalho: precarização do trabalho e discriminação salarial”. A segunda mesa terá a participação de Ana Carolina Querino, coordenadora de Direitos Econômicos da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul e do Programa Regional de Incorporação das Dimensões de Gênero, Raça e Etnia nos Programas de Combate à Pobreza, desenvolvido no Brasil, Bolívia, Guatemala e Paraguai.

Poder, direitos e fim da violência
No segundo dia do encontro, sexta-feira (10/6), o debate será conduzido por quatro painéis com participação de representantes do governo federal, das Nações Unidas, pesquisadoras e pesquisadores e lideranças dos movimentos feministas e de mulheres.

Estarão em discussão a participação política das mulheres e o acesso às esferas decisórias; a questão de gênero, sexualidade e direitos humanos; e as estratégias para o enfrentamento da violência contra as mulheres. A representante da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, Rebecca Tavares, vai abordar “A nova estrutura de governança global em políticas públicas para as mulheres e o papel da ONU Mulheres”, no quarto painel que vai acontecer das 10h45 às 11h15. 

No último painel “Enfrentamento da violência contra as mulheres: avanços e desafios”, programado para as 14h30 da sexta-feira (10/6), haverá a participação de Silvia Pimentel, presidente do Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres – CEDAW das Nações Unidas; Ela Wiecko, subprocuradora-geral da República; Verônica Teresi, consultora da Reunião Especializada da Mulher do Mercosul, entre outras. Após a apresentação dos temas, haverá uma rodada de debates seguida pelo encerramento do seminário, às 17h30.

Seminário “Autonomia Econômica e Empoderamento da Mulher”
Data: 9 e 10 de junho de 2011
Local: Palácio do Itamaraty (Avenida Marechal Floriano 196) – Rio de Janeiro/RJ
Informações:
Assessoria de Comunicação
ONU Mulheres Brasil e Cone Sul

terça-feira, 7 de junho de 2011

Fenaj faz grande mobilização para o dia 15 em favor do diploma

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) está promovendo intensa mobilização dos jornalistas para uma manifestação no Senado Federal no próximo dia 15 de junho.



A ideia é reunir um grande número de jornalistas, a partir das 10h do dia 15, quarta-feira, para pressionar o presidente José Sarney a botar em votação a Proposta de Emenda à Constituição que restabelece a exigência do diploma de curso superior para o exercício da profissão de jornalista. 


No Dia da Imprensa, comemorado no dia 1º de junho, uma comitiva com representantes da Fenaj e de sindicatos de jornalistas marcou presença em Brasília para pedir a aprovação das PECs do Diploma que tramitam na Câmara e no Senado.

A comitiva dos representantes sindicais dos jornalistas circulou em diversos gabinetes parlamentares na Câmara dos Deputados – como o do autor da PEC 386/09, Paulo Pimenta (foto) – e do Senado. Participaram do corpo a corpo representantes dos Sindicatos dos Jornalistas do Acre, Jane Vasconcelos, do Amazonas, César Wanderley, de Pernambuco, Osnaldo Moraes, de São Paulo, Márcia Quintanilha e Alcimir do Carmo, da Paraíba, Edson Weber, de Alagoas, Valdice Gomes e Fátima Almeida, do Município do Rio de Janeiro, Sônia Regina Gomes, da Bahia, Kardé Mourão, do Piauí, Luiz Carlos de Oliveira, e do Rio Grande do Sul, José Nunes.

Os sindicalistas distribuíram a nota oficial da Fenaj alusiva ao Dia Nacional da Imprensa, coletaram assinaturas pela reinstalação da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma e, principalmente, pediram a votação das PECs do Diploma. “Obtivemos ampla receptividade aos nossos pedidos e na sessão do plenário do Senado, presidida pelo senador Sarney, o relator da PEC 33/09, senador Inácio Arruda, leu trechos de nossa nota oficial e pediu a votação da matéria”, conta Sônia Regina Gomes.

A perspectiva é de intensificação do movimento nas próximas duas semanas, quando comitivas mais ampliadas e uniformizadas com camisetas e materiais da campanha em defesa do diploma marcarão presença em todas as sessões do Senado. Debates e manifestações nos Estados também estão sendo programadas para o dia 15 de junho, quando acontece a manifestação nacional em Brasília.
“O segundo aniversário da decisão equivocada do STF, que extinguiu a exigência do diploma para o exercício profissional do Jornalismo será no dia 17”, lembra Valci Zuculoto, da coordenação da campanha em defesa do diploma e diretora da Fenaj. 


Como na sexta-feira, 17, não há sessão no Congresso Nacional, a mobilização para marcar a data e sensibilizar os parlamentares pela votação da PEC foi antecipada em dois dias.

domingo, 5 de junho de 2011

Heterossexualidade e poder


Profa. Dra. Berenice Bento/UFRN*

Até pouco tempo escutávamos que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Também era um costume lavar a honra com o sangue da mulher assassinada. Casos de mulheres assassinadas por seus parceiros dificilmente chegavam à justiça. Nas últimas décadas houve uma proliferação de movimentos e estudos mostrando que o espaço da casa, o lar doce lar, é marcado pela violência e que para alterar hábitos seculares era importante combinar ações dos movimentos sociais com políticas públicas que objetivassem acabar com violência no espaço familiar, ao mesmo que se aprovaram leis que penalizam os criminosos. Portanto, o espaço doméstico tem sido um dos lugares mais normatizados pelo Estado nas últimas décadas, a exemplo da Lei Maria da Penha e do Estatuto da Infância e Adolescente. Quando a Presidenta Dilma afirma que “não podemos interferir na vida privada das pessoas”, contraditoriamente, esquece o papel fundamental do Estado brasileiro, pressionado por movimentos socais, na transformação desse espaço.


Nesse processo histórico de politização do privado, a violência contra os filhos e as filhas homossexuais passou a ter visibilidade. O que pode um pai e uma mãe contra um filho homossexual? Tudo? Se o argumento for pelo costume, ou seja, aquilo que tem força reguladora das relações entre as pessoas pela repetição, então, neste caso, os pais podem tudo, principalmente contra filhos não heterossexuais. E, de fato, as pesquisas mostram a violência brutal dos pais que descobrem que seus filhos são gays, lésbicas ou transexuais ou travestis. A resposta costumeira para esta descoberta tem sido a expulsão de casa. Pela declaração da Presidenta, nada se poderá fazer. Mas a família não está só na tarefa de preservação do “costume heterossexual”, tem como aliada outra instituição poderosa: a escola.

As inúmeras teses e pesquisas produzidas por pesquisadores/as de universidades brasileiras apontam que a escola é um dos espaços mais violentos para crianças que apresentam comportamentos “não adequados” para os “costumes heterossexuais”. Não basta falar de bullying, palavra asséptica, que não revela o heteroterrorismo a que estas crianças e adolescentes são submetidos. A reiteração de agressões verbais e físicas contra meninos femininos e meninas masculinas desfaz qualquer ilusão de que a heterossexualidade é um dado natural. Desde que nascemos somos submetidos diariamente a um massacre: “comporte-se como menina, feche as pernas, seja homem, menino não chora”. A produção da heterossexualidade é um projeto diário e violento.

Imaginem o sofrimento de um estudante que precisa freqüentar a escola, mas sabe que ali será agredido física e psicologicamente. Uma das mulheres transexuais que entrevistei afirmou: “Era um horror. Na hora do recreio eu ficava sozinha. Ninguém brincava comigo. Eu me sentia uma leprosa. Por várias vezes, a professora viu os meninos me xingando de viadinho e ela só fazia ri.” O riso da professora seria um costume? Desnecessário afirmar que esta mulher transexual, como tantas outras, não conclui seus estudos. Os indicadores de sucesso e fracasso escolar, ou evasão, subestimam a variável violência homofóbica.

Muitos professores argumentam que não têm instrumentos didático-pedagógicos para fazer uma reflexão com seus estudantes sobre respeito e diversidade sexual.

A disputa que assistimos em torno do material pedagógico Escola Sem Homofobia nos revela que produção da heterossexualidade não tem nada a ver com “costumes” inseridos no âmbito do privado, mas com poder. A bancada religiosa do Congresso Nacional sabe muito bem disso. Sabe que a produção de uma pessoa heterossexual é um projeto que deve contar com o apoio absoluto de todas as instituições: a família, a escola e, claro, os representantes do Estado.


*Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Coordenadora do Núcleo Tirésia-UFRN

PROGRAMAÇÃO DA 3ª JORNADA LÉSBICA-FEMINISTA



18/06 – (sábado)

18h - Cine Lés – auditório do CRP-SP (Rua Arruda Alvim, 89 – próximo ao metrô Clínicas)

Filme: Bandaged

Sinopse: Lucille vive com seu pai dominador e a tia avó numa mansão sombria e isolada. Ela está prestes a completar 18 anos e sonha entrar na Universidade para estudar poesia, mas seu pai, um notório cirurgião, insiste que ela deve estudar ciências. Sentindo que não há escapatória Lucille tenta suicídio. Ela sobrevive mas sofre graves queimaduras no rosto.

Para cuidar de Lucille seu pai contrata a enfermeira Joan, uma mulher com um passado misterioso. As duas se envolvem romanticamente enquanto as ataduras são retiradas do rosto da jovem.

O filme é um interessante thriller psicológico que lida com angústias, esperanças e o poder libertador da paixão.

Direção: Maria Beatty
Elenco: Janna Lisa Dombrowsky, Susanne Sachsse, Hans Piesbergen, Martine Erhel.

21/06 (terça)
18h - abertura dos debates da 3ª Jornada Lésbica-Feminista
. Diálogo: Educação Inclusiva, não sexista, não racista, não lesbofóbica
– auditório do CRP-SP (Rua Arruda Alvim, 89 – próximo ao metrô Clínicas)

22/06 (quarta)
14h - oficina de Imagem e Som (criação de tambores, produção de pirulitos, faixas etc) (Rua Arruda Alvim, 89 – próximo ao metrô Clínicas)

18h - Roda de Conversa sobre Lesbianidades e Etnias (Rua Arruda Alvim, 89 – próximo ao metrô Clínicas)

23/06 (quinta)


9h30 - Roda de Conversa sobre Saúde Lésbica (participação da representação LGBT no Conselho Nacional de Saúde, Ministério da Saúde, CRT/AIDS-SP, CRP-SP, pesquisadoras sobre saúde lésbica) - Rua Arruda Alvim, 89 – próximo ao metrô Clínicas

. tarde - Lésbicas na Feira da Diversidade

24/06 (sexta)

18h - Cinelés – auditório do CRP-SP (Rua Arruda Alvim, 89 – próximo ao metrô Clínicas)

Filme: Elena Undone

Sinopse: Elena e Peyton são mulheres muito diferentes. Elena é a dedicada esposa de um pastor, Peyton é uma escritora assumidamente lésbica. Os caminhos delas se cruzam e o que começa com uma amizade logo vira uma avassaladora paixão.

Direção: Nicole Conn
Elenco: Necar Zadegan e Traci Dinwiddie

. Noite, confraternização

25/06 - sábado da 9ª CAMINHADA LÉSBICA-FEMINISTA)

. 12h – concentração – Praça Osvaldo Cruz, início da Av. Paulista

. 14h – 9ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo

. 16h – Encerramento c/ show´s


sexta-feira, 27 de maio de 2011

SAÚDE DE LÉSBICAS SOFRE COM PRECONCEITO E DESINFORMAÇÃO


SAÚDE DE LÉSBICAS SOFRE COM PRECONCEITO E DESINFORMAÇÃO

Vergonha em expor o corpo e despreparo dos médicos dificulta prevenção e tratamento de doenças

Câncer de mama, obesidade, HPV e uso de drogas são problemas que ameaçam a saúde feminina e, segundo pesquisas recentes, as lésbicas correm ainda mais risco de cruzar o caminho com estas doenças.

A mistura de preconceito, falta de informação e despreparo das equipes de saúde para tratar esta população é o ponto de partida para que mulheres que fazem sexo com mulheres concentrarem indicadores de saúde piores do que a população feminina em geral.

Os estudos científicos já evidenciaram que a vergonha das pacientes em expor algumas partes do corpo relacionadas à sexualidade, como as mamas e a vagina, também compõem o cenário da dificuldade das homossexuais em cumprir uma agenda preventiva às doenças.

Os números
A primeira grande publicação que alertou sobre os índices de saúde preocupantes na população lésbica foi feita pela Universidade de Pittsburgh e publicada no Arquivo Internacional de Saúde Pública.

Os médicos entrevistaram 1.017 mulheres homossexuais. Na avaliação comparativa com as heterossexuais, eles encontraram 35,5% de lésbicas fumantes contra 20,5% heteros. No primeiro grupo 57,5% usavam álcool com frequência contra 44,6% na outra turma (o índice de alcoolismo ficou 4,7% contra 1,1%).

Além disso, na faixa etária com mais de 40 anos, 93,3% das lésbicas nunca haviam feito mamografia frente ao índice de 85,1% da outra população. Como complemento desta pesquisa, a Sociedade Canadense de Câncer fez uma divulgação alertando que a mulher heterossexual visita o médico com frequência para ter acesso aos anticoncepcionais, um “privilégio” não vivenciado pelas mulheres gays. Sem passar por tantas consultas, as lésbicas não têm o colesterol e a pressão arterial avaliados com tanta recorrência, o que compromete a rotina preventiva.

Cenário nacional
No Brasil, o governo federal já sinalizou sobre a importância de aproximar as lésbicas dos serviços de saúde e, para isso, o acolhimento por parte da equipe é fundamental. Em um documento oficial distribuído para todos os Estados em 2007, os técnicos escreveram que o grupo das lésbicas e bissexuais permanece invisível nas estratégias de saúde.

“Muitos/as profissionais da rede de saúde têm dúvidas sobre o manejo do atendimento e encaminhamentos, justamente por reproduzir o modelo da heterossexualidade, nos seus campos de intervenção, cuidado e controle da saúde das mulheres”, escreveram. “O resultado dessa cultura é a permanência e a ampliação dos contextos de vulnerabilidade de mulheres que, quando recorrem aos serviços, não são orientadas adequadamente para o exercício da sexualidade autônoma, segura e protegida.”

Alexandre Bôer, diretor do grupo do Rio Grande do Sul Somos (Comunicação, Saúde e Sexualidade) explica que pelo fato de não terem relações sexuais com penetração, as orientações sobre doenças sexualmente transmissíveis são praticamente inexistentes. Uma das consequências é que as lésbicas acabam por acreditar que não correm nenhum risco de contágio.

“Os grupos de mulheres lésbicas de todo País têm trabalhado muito as informações sobre HIV, aids e HPV. Primeiro porque quase todas as mulheres que estão em um relacionamento com outra mulher hoje já tiveram relações com homens no passado e podem ter sido contaminadas. Um outro motivo é que uma boa parte das doenças sexualmente transmissíveis (como sífilis e gonorreia, e outras verrugas e infecções que podem não vir com sintoma nenhum) acomete estas mulheres, a contaminação é fácil.”

Outro aspecto que precisa ser trabalhado, avalia Bôer, é que exames para colher o papanicolaou podem ser considerados invasivos demais para mulheres que não têm penetração sexual ou são virgens. “Todos os exames médicos que mexem de alguma forma com a sexualidade precisam ser trabalhados, independentemente da orientação sexual. Os homens heterossexuais, por exemplo, têm muita restrição em fazer o toque retal. Algumas lésbicas podem ter restrições ou receios. Tudo isso precisa ser conversado abertamente com o médico, sem preconceito.”

Efeito psicológico 
A psiquiatra especializada em dependência química da Unifesp, Alessandra Diehl, também já fez levantamentos e revisões de literatura especializada e encontrou em evidências internacionais que apontam maior uso de substâncias psicoativas entre as lésbicas.

“No Brasil, elas são pouco estudadas, mas sabemos que nas unidades de internação precisamos trabalhar a homofobia. O que percebemos é que nestes contextos, elas são muito acolhidas, mas isso precisa ser universal”, diz. 

Uma das justificativas é que esta população enfrenta muito preconceito e uma das vias de fuga seriam as drogas. A mesma explicação pode ser aplicada para o fato das lésbicas conviverem com mais obesidade, conforme mostrou pesquisa feita Universidade de Saúde Pública dos Estados Unidos. Análise feita com 6.000 mulheres indicou que as lésbicas tinham 2,69 vezes mais risco de estar acima do peso e 2,47 vezes de serem obesas. 

Por 
Fernanda Aranda, iG São Paulo