Apresentação

O grupo de gênero se insere na discussão do poder de uma sociedade machista e ter um marco emancipatório para a participação política das mulheres, tendo-as como sujeito. Debatendo o cotidiano, as relações familiares e/ou privadas, às relações institucionais da economia, da política e da cultura e suas dimensões objetivas e subjetivas simultaneamente. Este GT reúne os pontos de cultura que atuam na perspectiva da emancipação feminina, na luta contra a opressão e a violência contra as mulheres e pela afirmação da igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Bem-vindos/as à Idade Média!


Por Ana Veloso,  Jornalista Amiga da Criança/ANDI, professora da Universidade Católica de Pernambuco, doutoranda em comunicação pela UFPE, integrante do Coletivo Intervozes, empreendedora Ashoka e colaboradora do Centro das Mulheres do Cabo.

…Mas um dia, eu sei
A casa cai
E então
A moral da história
Vai estar sempre na glória
De fazermos o que nos satisfaz…
Imorais – Christiaan Oyens e Zélia Duncan
 
A professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Paula Reis, lembra, por e-mail, que estamos reescrevendo a história: “Na última semana beatificamos um papa, casamos um príncipe, fizemos uma cruzada e matamos um mouro. Bem-vindos/as à Idade Média”! Como jornalista precisa de fatos para comprovar as declarações, enumerei alguns deles, que ratificam o que pesquisadora sentencia.
Não tem graça nenhuma. Estamos diante do que denomino de “Barbárie em Série”. No Brasil, parlamentar imprime e distribui panfleto ‘anti-gay’, uma emissora de televisão pensa que pode fazer humor com pessoas autistas impunemente e um cidadão ganha publicidade por fazer piada com estupro. Fico pensando: até quando a sociedade e o Estado brasileiro irão admitir que, sob o argumento de exercício da liberdade de expressão, certos “políticos”, “programas” e “apresentadores” divulguem atrocidades e violem os direitos humanos? Não podemos permitir que o mercado da mídia continue usando artifícios como a exposição de vítimas de violência e promovendo atentados à dignidade das pessoas.
Enquanto um brasileiro ridiculariza a situação dos/as que têm sua vida devastada pela violência sexual, centenas de mulheres estão tentando criminalizar, na África do Sul, o “estupro corretivo”.  A prática é usada como arma pelos sexistas e homofóbicos que se julgam no direito de cometer crimes contra a humanidade para “corrigir” mulheres que amam mulheres. As militantes que lutam para a legislação punir os criminosos que usam de tal expediente já conseguiram 140 mil assinaturas para sensibilizar as autoridades diante da grotesca situação.
Já falamos da caça às bruxas. Agora, vamos à eliminação dos negros. Na França, um grupo de dirigentes e treinadores de futebol estão sendo investigados por supostamente agir com racismo. De acordo com o site Mediapart, está ocorrendo, naquele país, a adoção de um sistema de cotas para negros e árabes para limitar o acesso deles aos campos de treinamentos construídos para os jovens. Como se só quem tivesse o sangue azul pudesse vestir a camisa da esquadra francesa. Alguma semelhança com o nazismo?
Do futebol europeu para o Brasileiro. Ou seria melhor, da xenofobia francesa para a brasileira? Após a classificação do time do Ceará para as finais da Copa do Brasil, choveram, nas redes sociais, novamente, ataques contra os nordestinos. O time do Ceará, popularmente conhecido como “vozão”, eliminou o flamengo do RJ do certame. E muitas pessoas, residentes no Sudeste, expressaram sua indignação com o resultado da partida por meio de xingamentos contra os habitantes do Nordeste do país.
Para terminar… Ou melhor, começar nossa volta ao passado, nada mais apropriado do que reproduzir uma parte de uma matéria veiculada pelo portal do jornal O Estado de São Paulo do dia 12/05: “A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nesta quarta-feira (11/05) uma nota oficial sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu, por unanimidade, na última quinta-feira (05/05), a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar. A CNBB afirma não concordar que essas uniões estáveis sejam ‘equiparadas à família’”.
E agora? Quem duvida de que estamos vivendo na Idade Média?
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