Apresentação

O grupo de gênero se insere na discussão do poder de uma sociedade machista e ter um marco emancipatório para a participação política das mulheres, tendo-as como sujeito. Debatendo o cotidiano, as relações familiares e/ou privadas, às relações institucionais da economia, da política e da cultura e suas dimensões objetivas e subjetivas simultaneamente. Este GT reúne os pontos de cultura que atuam na perspectiva da emancipação feminina, na luta contra a opressão e a violência contra as mulheres e pela afirmação da igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

#BringBackOurGirls – A Nigéria chora


As notícias que chegam da Nigéria são ainda mais alarmantes, se é que podemos falar nesses termos depois de tudo que já aconteceu até aqui. Agora um grupo de oito meninas com idade entre 12 e 15 anos foi sequestrado e o ataque de abril continua sem solução. Desde 2009, aproximadamente 2000 pessoas já foram mortas e mais de uma centena de escolas já foi fechada na região de Borno pelo grupo de extremistas Boko Haram. O principal objetivo dos terroristas é instaurar uma estado islâmico com graves implicações para as mulheres, com apoio inclusive de alguns intelectuais cuja percepção é de que a educação ocidental corrompe o país.
O fato de tantas escolas estarem com as portas fechadas se torna ainda mais temeroso pois o número de meninas fora delas tem crescido numa tendência oposta à da África subsaariana. A taxa de analfabetismo é de aproximadamente 35% entre as jovens de 15 a 24 anos, enquanto é de 25% entre homens da mesma faixa etária. Considerando o universo das mulheres adultas, contadas a partir dos 15 anos, esse número é em torno de 50%. Quase 40% delas não recebe cuidados durante a gravidez e sua expectativa de vida é de apenas 52 anos, por exemplo. As estatísticas mais otimistas dão conta que 70% da população vive com menos de um dólar por dia.
A fragilidade da mulher nigeriana é tamanha que eté mesmo aquelas que estão lutando pela libertação das meninas estão em perigo como Naomi Mutah Nyadar, uma das líderes dos protestos exigindo que a leniência das autoridades para com o caso acabe. O governo cinicamente declarou que a ativista não foi presa mas que teria sido convidada a prestar esclarecimentos. Como os protestos podem ser vistos da prédio onde acontece até o dia 09 de maio o Fórum Econômico Mundial, o objetivo é silenciar as manifestações. Ainda mais agora que a mobilização para que as vítimas sejam encontradas ganhou  notoriedade com a hashtag #BringBackOurGirls, hoje com mais de um milhão de impressões e publicada no twitter no dia 26 de abril por ativistas e com uma página homônima no facebook.
O governo chegou a alegar que pouco foi feito até o momento porque os familiares não teriam fornecido informações o bastante e o presidente nigeriano Goddluck Jonathan disse que estão fazendo muito mas não estão falando sobre isso. “Nós não somos Americanos. Não estamos nos exibindo para as pessoas sabe, mas isso não significa que não estamos fazendo nada”. Agora, diante da atenção da comunidade internacional para o descaso,  estão oferecendo uma recompensa de 669 mil dólares para quem tiver informações além de aceitar a ajuda norte-americana para encontrar as vítimas.
O tempo é precioso. As jovens sequestradas são submetidas a casamentos e conversão forçadas, além de serem estupradas para que permaneçam obedientes aos seus “novos mestres”. Foi reportado que algumas chegam a ser violentadas mais de uma dezena de vezes por dia. Aquelas que se recusam a cooperar, são sumariamente mortas à facadas. Algumas são obrigadas a presenciar assassinatos, como se estivessem sendo treinadas a se acostumar. Os relatos nos falam de uma dor indizível causada por uma combinação hedionda entre machismo, terrorismo e fanatismo religioso. A dor de cada mulher atingida é de todas nós, especialmente das mulheres negras da diáspora. A Nigéria chora e nós com ela.
Entre as 230 meninas sequestradas no dia 14 de abril, 43 conseguiram fugir. “Eu amararia que todos nós pudéssemos escapar. Eu não posso celebrar minha fuga porque alguns dos meus amigos e colegas da escola ainda estão nas mãos dos insurgentes e eu não sei o que eles estão passando. Eu rezo pra que eles possam ser liberados”, continuou Amina Sawok. Para Thabita Walse, o sentimento é o mesmo. “Eu não tenho problemas, eu estou bem e muito forte psicologicamente. O único problema que eu tenho são que tenho é que alguns dos meus amigos ainda estão nas mãos dos terroristas”.
A conversão religiosa imposta tornaria essas mulheres espiritualmente “viáveis” para que possam ser casadas à força. “Eles me perguntaram se eu era cristã ou muçulmana. Eu disse que era Cristã. (…) Eles trouxeram um homem até a mim e disseram que ele gostava de mim e que eu deveria me converter ao islamismo para assim poder me casar”, reportou uma jovem de 23 anos que conseguiu fugir do cativeiro em março desse ano. “Eles continuam cortando a garganta das pessoas com facas”. Aqueles que tentaram escapar foram baleados, mas dificilmente eles usam suas armas pra matar. Eles geralmente usam facas. Cerca de 50 pessoas foram mortas na minha frente”, continuou.
Abukabar Shekau declarou que pretende vender as jovens sequestradas em abril, em mais uma demostração de qual seria o papel das mulheres no estado islâmico que pretendem organizar. É possível que nesse momento as vítimas não mais estejam em território nigeriano, vendidas como escravas. Esse não é um golpe dado ao acaso, atacar a mulher é parte crucial de uma perversa estratégia econômica, psicológica e financeira adotada pelo Boko Haram. Estamos falando numa modalidade de terrorismo baseado no gênero, um crime contra a humanidade que deve ser denunciado e combatido pela comunidade feminista e por cada uma de nós que somos submetidas às mesmas violências ao redor do mundo, em especial nós mulheres negras.
Somos indivíduos com direito a termos direito. Com acesso obrigatório à educação de qualidade e sem censura ideológica, com liberdade para escolher nosso futuro acadêmico . Com plenos poderes de decisão sobre nossos corpos, escolhendo se queremos ter relações sexuais e com quem. Se queremos ter filhos. Se não queremos ter filhos também. Nenhuma de nós deve ser estuprada, obrigada a se casar ou a se converter a uma fé que não professa. Temos o direito de não termos fé inclusive. Temos o direito de ir e vir, como bem nos aprouver. Nenhuma de nós deve ser escravizada, jamais. E se uma de nós é privada de seus direitos, todas somos. Como disse Sawok, a liberdade ainda é incompleta. Lá e aqui.
REFERÊNCIAS

segunda-feira, 5 de maio de 2014

inscrições abertas para delegadxs do Forum Nacional dos Pontos de Cultura


CINE TEIA 2014 INSCREVA-SE

Mostre seu filme na #TEIAdaDiversidade! Se você faz parte da Rede Cultura Viva, pode ter sua produção exibida no CineTEIA. Envie uma cópia em DVD + ficha de inscrição e termo de cessão de direto autoral impressos e assinados pelo correio e cruze os dedos. Todas as informações estão disponíveis em http://bit.ly/CineTEIAnaTEIAdaDiversidade

sexta-feira, 18 de abril de 2014

DENUNCIA: Uma história revoltante, com um final que esperamos seja de fato feliz

Por: Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental


Santo Amaro - Daize e Isabelle, horas depois do parto na calçada do hospital
O vídeo começou a correr hoje cedo no facebook, passível apenas de ser compartilhado. Nele, durante cerca de 11 minutos, é possível ver uma mulher negra deitada numa calçada, as pernas abertas, em visível trabalho de parto. Um ou dois metros acima de sua cabeça está um portão de ferro trabalhado. É a entrada do hospital de Santo Amaro da Purificação, Bahia, fechado ao aos gritos de dor da quase menina de sorriso doce que agora vemos acima, horas mais tarde. Aos pedaços, fui descobrindo que o nome dela seria Daize, uma jovem quilombola de Kaonge. 
Na foto do final de esperamos feliz, ela já tem nos braços Isabelle, a menina que nasceu praticamente sozinha, como pode ser visto no vídeo abaixo, nos braços de mulheres anônimas que foram se juntando e buscando ser solidárias.
A Samu chegou quando Daize já confortava a menina junto ao peito, ainda ligadas pelo cordão umbilical. A assepsia das luvas serviu para cortá-lo, pegar Isabelle para os primeiros cuidados, passar a parturiente para uma maca de remoção e, em seguida, para a ambulância.
O vídeo abaixo é uma edição curta de três minutos, mas que sintetiza muitíssimo bem o que aconteceu na calçada quase em frente ao portão por onde elas deveriam ter entrado e sido atendidas. Optei começar este texto pelo final feliz e deixá-lo por último para preservar Daize, acima de tudo. Porque esta história repugnante tem mais é que correr o País e o mundo, mostrando a que ponto chegamos em termos de desumanização…
A carne mais barata do mercado não pode continuar a ser a carne negra/indígena, como gritou Elza Soares!
Vídeo abaixo:


--
Postado por Emanuelle Goes no População Negra e Saúde em 4/17/2014 10:19:00 PM

quinta-feira, 17 de abril de 2014

IFRN LOCAL DA TEIA 2014

O campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN Oficial) também vai receber a #TEIAdaDiversidade!

Conheça esse e outros espaços que vão sediar o encontro nacional dos #PontosdeCultura e das redes da diversidade que compõem o Programa Cultura Viva no site: http://bit.ly/LocaisdaTEIAdaDiversidade

Convocatória CONTRASTES – Gênero, tempos, lugares, olhares

Posted on 21 Mar in Notícias
convoc_contrastes

Já pensou ter sua história contada em uma exposição fotográfica?
Nesta edição do Curta O Gênero 2014, a exposição fotográfica Contrastes – gênero, tempos, lugares, olhares traz o tema Gênero e Liberdade, convidando à participação de todxs que tenham interesse em pensar o corpo e a sexualidade como territórios políticos que questionam os padrões de beleza, as ideias de “naturalidade” dos corpos e das relações de gênero, assim a existência de um modelo único de vivenciar os desejos, os afetos e as identidades.
Para participar é muito fácil! Basta nos enviar três fotografias nas quais você acredite que sua história seja melhor retratada, pensando nas questões de gênero, corpo e liberdade, especialmente como essas relações e ideias se transformam no tempo, no espaço, na cultura, na história e no percurso biográfico de cada uma e cada um.
As fotografias podem ser de arquivo pessoal (quando criança, adolescente, adulto), auto-retratos (antigos ou novos), dentre outras modalidades, assim como ter diferentes formatos (de celulares, tablets, câmeras digitais ou analógicas), desde que mantenham o diálogo com a temática da exposição.
O que precisa para participar?
1) Enviar o mínimo de três fotografias em diálogo com a pergunta: “Pensando nas relações de gênero, corpo, sexualidade e liberdade”, quais fotografias contam a minha história?”
2) Enviar um texto de no máximo 2.500 caracteres contando o porquê da escolha dessas fotos;
3) As imagens podem ser de celulares, tablets, câmeras digitais ou analógicas. As imagens analógicas precisam ser enviadas digitalizadas.
4) Enviar seu nome completo, endereço, CPF e data de nascimento, junto com as imagens anexadas e texto explicando a história das fotos até o dia 28 de março de 2014 para o e-mail ns.org.br>.
5) Estar ciente de que as fotografias enviadas passarão por uma curadoria e poderão compor a exposição “Contrastes – Gênero, tempos, lugares, olhares”, a ser exposta publicamente em ações sem fins comerciais da ONG Fábrica de Imagens, assim como poderão ser utilizadas em materiais gráficos e virtuais promocionais e/ou educativo-informativos, sem qualquer ônus à entidade.